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  • NAMORAR NA ERA DO IMEDIATISMO

    Jovens desafiam a pressa do mundo atual e mostram que é possível viver relacionamentos com fé, compromisso e profundidade
    Juliana Braga, Universo Paulinas | Foto, Pexels

    Vivemos imersos em uma cultura marcada pelo imediatismo, que valoriza a satisfação instantânea e a busca por resultados rápidos. Essa mentalidade, inevitavelmente, afeta as relações interpessoais, especialmente os relacionamentos amorosos.

    A pressa em encontrar um parceiro, a expectativa de um relacionamento “perfeito” desde o início e a dificuldade em lidar com desafios naturais da convivência podem gerar decisões precipitadas e instabilidades afetivas. Ainda assim, muitos jovens têm buscado viver relacionamentos com profundidade, fé e compromisso, demonstrando que é possível cultivar um amor com propósito em tempos de vínculos frágeis e efêmeros.

    “As pessoas continuam amando e sendo atraídas, mas, no ‘tempo líquido’ em que vivemos, isso se dá muitas vezes a partir da ausência e da solidão. Parece que o ‘propósito’ vem depois do ‘estar junto’. No passado, o compromisso para a vida toda (até que a morte os separe), era quase inquestionável. Ele vinha antes do ‘ficar’. Hoje, esse propósito é confrontado pela ideia de experimentar todas as formas de prazer e amor possíveis. As pessoas se veem diante do desafio de escolher como amar e a quem amar. Isso é um fenômeno típico da nossa era, marcada por excessos de informação, conexões e experiências instantâneas”, reflete frei André Luiz Boccato de Almeida, OP, professor de Teologia na PUC-SP, psicanalista e especialista em Educação Sexual.

    Do ponto de vista da fé cristã, a base de um relacionamento duradouro é o amor comprometido e fiel. “A fidelidade não é algo pronto, mas fruto de uma construção conjunta. Ela exige tempo, convivência e amadurecimento. E é preciso lembrar que a cultura contemporânea está mais moldada pela desconfiança do que pela confiança. As redes sociais, por exemplo, são ambientes que alimentam a curiosidade, o julgamento e a insegurança”, observa frei André.

    Segundo ele, é possível viver um namoro com fé e compromisso, desde que se leve em conta a autenticidade e a história de vida de cada pessoa. O casamento, enquanto sacramento, é uma possibilidade real e bela, mas exige um processo de discernimento.

    “É fundamental oferecer escuta, formação, acompanhamento e sensibilidade humana. Sem isso, corremos o risco de propor ideais inalcançáveis para pessoas reais. Precisamos, como Igreja, separar as pessoas das tendências culturais, das mentalidades e dos desejos que as movem. Muitas vezes, nos falta viver concretamente aquilo que o Papa Francisco propõe na Amoris Laetitia: acompanhar, discernir e integrar. Não podemos exigir das pessoas apenas o ideal sem ajudá-las a integrar o seu real. É urgente recuperar nelas o sentido profundo do amor, do compromisso e da fidelidade. E isso deve ser feito com misericórdia, sem culpabilizações excessivas por escolhas equivocadas ou experiências dolorosas do passado”, conclui frei André.

     
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