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  • IGREJA DA CANDELÁRIA CELEBRA 250 ANOS EM JUNHO

    Igreja da Candelária celebra 250 anos 
    Felipe Lucena | Jornal do Rio

    No dia 6 de junho, um dos mais importantes templos religiosos do Rio de Janeiro celebra 250 anos. Uma missa solene com coral e grande orquestra, presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta, está marcada para essa data, às 10h. Contudo, um momento tão marcante pede mais celebrações.

    Entre os dias 3 e 5, aconteceu o seminário “250 anos da bênção”, com especialistas em arte, arquitetura, patrimônio, história e arquivo.

    A história da Igreja da Candelária

    A origem da igreja se deu após uma promessa feita pelo casal Antônio Martins Palma e Leonor Gonçalves.

    Os dois, enquanto navegavam pelo litoral do Rio de Janeiro, se depararam com uma forte tempestade. No momento de desespero, fizeram uma promessa, dizendo que se sobrevivessem iriam erguer uma capela para Nossa Senhora da Candelária.

    Os dois cumpriram a promessa. Em 1609, mandaram construir uma pequena capela no local da atual Igreja da Candelária. Mais de um século depois, em 1710, assim como aconteceu com outros templos católicos cariocas, a modesta construção passou por uma grande reforma que deu início a essa história de 250 anos.

    O sargento-mor Francisco João Roscio, engenheiro militar português, desenhou os planos para uma nova igreja. Em 1775, as obras começaram. A pedra extraída da Pedreira da Candelária, no Morro da Nova Sintra, no bairro do Catete, foi utilizada e abençoada.

    Na época, a obra se tornou tão importante que sua reinauguração aconteceu em 1811, com a igreja ainda inacabada. O príncipe-regente e futuro rei de Portugal, Dom João VI, esteve presente na cerimônia. Tamanho era o peso da reforma que os altares do interior da igreja foram esculpidos por Mestre Valentim, o grande artista do estilo rococó do Rio de Janeiro. Essas peças foram substituídas nas reformas posteriores.

    O desenho da Igreja da Candelária foi inspirado em obras do barroco português, como a Igreja do Convento de Mafra e a Basílica da Estrela, na capital portuguesa.

    Além de ser uma verdadeira obra de arte da arquitetura brasileira, a Candelária tem outro grande atrativo. A fachada do prédio está voltada para a Baía de Guanabara.

    Anos após a inauguração do templo, o projeto inicial, que só tinha uma nave, passou a ter três. A nave anteriormente construída foi substituída, porém a fachada original do projeto de Roscio foi mantida. Em 1856, essa reforma foi encerrada.

    Apesar de tudo estar indo bem, uma dificuldade pairava. A reforma da cúpula do transepto (parte de um edifício de uma ou mais naves que atravessa o corpo principal perto do coro e dá ao prédio a planta em cruz) representou um grande problema para a engenharia daquele período menos abastardo de recursos modernos.

    Grandes profissionais brasileiros e estrangeiros foram chamados para resolver a questão. Arquitetos como Justino de Alcântara, Francisco Joaquim Béthencourt da Silva, Daniel Pedro Ferro Cardoso e o alemão Carl Friedrich Gustav Waehneldt agiram para que, em 1877, tudo ficasse pronto. Quando terminada, a cúpula da Candelária era a construção mais alta da cidade do Rio de Janeiro.

    A decoração interna, iniciada um ano depois (em 1877), seguiu o modelo neorrenascentista da Itália com revestimento de mármores italianos policromados nas paredes e colunas, afastando-se assim dos modelos vigentes na época colonial. O desenho interior foi feito por Antônio de Paula Freitas e Heitor de Cordoville.

    As pinturas murais no interior são consideradas a obra prima de João Zeferino da Costa, pintor e professor da Academia Imperial de Belas Artes. João contou com a ajuda de pintores, como Henrique Bernardelli, Oscar Pereira da Silva e o italiano Giambattista Castagneto. O trabalho desses artistas durou anos, alcançando um aclamado êxito.

    No girar das chaves do século XX, mais precisamente em 1901, foram instaladas as portas de bronze na entrada da igreja da Candelária, obra do português Teixeira Lopes.

    Contudo, nem sempre as recordações são boas. Há quase 22 anos, em 1993, aconteceu um trecho triste dessa história. Uma chacina que ocorreu nas proximidades do histórico templo terminou com a morte de jovens. Policiais militares foram acusados pelo crime.

    “Considerando a história, a beleza, e o número de pessoas e acontecimentos marcantes que passaram pela Igreja da Candelária, é natural dizer que essa é uma das mais importantes construções do Rio de Janeiro”, pontua a arquiteta e pesquisadora Camilla Braga.

     
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